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Transcript for TEDxSP 2009 - Guti Fraga from

Time Content
00:19 → 00:21

Bom dia a todos.

00:22 → 00:23

Bom dia!

00:23 → 00:23

"Bom dia".

00:24 → 00:27

Ah bom, vamos acordar, eu sou o ultimo desse bloco.

00:27 → 00:30

Estou emocionado, estou nervoso, vamos dividir isso, poxa.

00:31 → 00:32

Ne?

00:32 → 00:35

Estou muito emocionado com tudo o que esta acontecendo

00:36 → 00:37

Eu nao posso deixar de dizer

00:37 → 00:42

de perceber nesse movimento do TED, uma rapaziada tao diferente uma da outra

00:42 → 00:49

um movimento feito por uma rapaziada jovem, tao integrado e tao a fim, tao diferentes em prol de um objetivo comum

00:49 → 00:55

de de repente encontrar uma plateia tambem tao diversificada em prol de um objetivo comum

00:55 → 01:00

nao tem como nao se emocionar, eu estou aqui completamente emocionado para falar de uma vida

01:00 → 01:03

de 23 anos de vida do Nos do Morro.

01:03 → 01:04

O que e o Nos do Morro?

01:06 → 01:11

Para quem nao sabe, o Nos do Morro e um projeto de teatro e cinema

01:11 → 01:14

que surgiu la no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro

01:15 → 01:19

e eu... sei la... eu inventei esse projeto porque

01:20 → 01:24

as vezes eu sempre digo assim que eu fui um pobre que teve todas as oportunidades na vida

01:24 → 01:30

e talvez isso, de alguma forma tenha influenciado em uma decisao na minha vida.

01:30 → 01:38

eu tive oportunidades, eu consegui trabalhar, talvez, com grandes pessoas importantes, pelo menos na minha opiniao

01:38 → 01:42

talvez grandes pessoas, as maiores pessoas importantes do teatro brasileiro

01:42 → 01:46

Amir Haddad, Boal, Domingos de Oliveira, enfim

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Marilia Pera que foi a pessoa vital na minha vida.

01:50 → 01:56

Aquele sonho que a gente tem, principalmente o artista, as vezes ele sonha nessa historia

01:56 → 01:58

de estar no eixao Rio-Sao Paulo

01:58 → 02:02

Aquela historia toda, e eu... poxa... com a Marilia foi importantissimo

02:02 → 02:07

consegui viver isso, de frequentar grandes restaurantes em Sao Paulo, Rio, aquela historia toda.

02:07 → 02:12

Mas quando eu mudei pro Rio, eu sou um imigrante tambem, eu sou um imigrante, matogrossensse, goiano

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e fui viver no Rio

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e quando eu fui morar no Rio eu ja fui morar direto numa favela

02:18 → 02:19

no Morro do Vidigal

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que e um lugar lindao mesmo, um visual lindo, e que moravam muitos artistas la.

02:24 → 02:28

Mas sempre aquela historia de uma favela partida.

02:28 → 02:35

E eu cheguei, e houve automaticamente uma grande integracao da minha vida com essa comunidade

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e ai eu conheci muitas pessoas

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que tinham grandes talentos e que nao tinham oportunidades

02:43 → 02:48

Entao, essa questao da oportunidade eu acho que foi algo que me moveu o tempo inteiro a

02:48 → 02:51

caminhos inimaginaveis.

02:51 → 02:51

Right?

02:52 → 02:56

E a arte de dar esse poder, de viajar, viagens inimaginaveis

02:57 → 02:59

E, e ai um dia na verdade

02:59 → 03:05

so para chegar onde que caiu a ficha mesmo dessa historia de eu fundar o Nos do Morro

03:05 → 03:09

Eu fui para Nova Iorque com a Marilia em 85

03:09 → 03:13

e eu ja tinha uma relacao com a comunidade, essa relacao toda

03:13 → 03:16

e quando eu cheguei em Nova Iorque, todo mundo querendo ir para Broadway, e eu fui para o Harlem.

03:17 → 03:19

eu queria ver o que que a negada de la fazia

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eu queria ver o que que os favelados de la faziam

03:22 → 03:26

eu queria ver o Blues nas pracas, o Blues nos botequins de la.

03:26 → 03:29

Igual o Samba de botequim aqui, essa historia toda.

03:29 → 03:31

E eu cheguei la e enfrentei essa historia doidona

03:31 → 03:33

e todo mundo: "Nao, cuidado", "Olha, e perigoso".

03:33 → 03:37

E e verdade, e perigoso, a malandragem e universal, ne?

03:37 → 03:38

E a gente aprende isso.

03:39 → 03:44

E eu cheguei la, cara, e fui... e fui, e vi coisas que me emocionaram

03:44 → 03:47

eu vi coisas que eu falei: "Caraca, e isso que eu quero fazer".

03:47 → 03:51

Eu entrava assim num espaco pequenininho assim que cabia dez pessoas

03:51 → 03:58

Ai voce via uma luz bem feita, voce via um cenario bem feito, voce via atores maravilhosos.

03:58 → 04:01

E eu falei: "Caraca, e isso que eu quero".

04:01 → 04:02

E voltei definido de la

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voltei assim e falei: "Mas como? Como que eu vou de repente largar um padrao de vida que eu conquistei a vida toda, ne?

04:09 → 04:10

E vai largar tudo isso

04:10 → 04:10

poxa

04:11 → 04:16

Eu sabia que eu voltava para o Rio e eu ia voltar a comer um PF por dia.

04:16 → 04:19

Mas era a parada que vinha na minha alma, e eu fui assim e fiz.

04:20 → 04:23

Voltei para o Rio, parei de trabalhar com a Marilia.

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E resolvi, e cheguei na comunidade e disse: "Vou fundar um projeto".

04:27 → 04:30

Mas eu nao queria montar simplesmente um grupo de teatro

04:30 → 04:35

eu queria montar um grupo de teatro onde a qualidade fosse essencial

04:35 → 04:38

mas acima de tudo, a filosofia de vida.

04:38 → 04:42

Essa filosofia de vida que seria talvez a transformacao dentro do objetivo, ne?

04:43 → 04:45

Onde a base fosse o coletivo

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Por isso nos nos chamamos Nos do Morro.

04:48 → 04:53

Se voce ter uma ideia multiplicadora

04:53 → 04:54

e uma multiplicacao de alma

04:55 → 04:59

e voce desejar multiplicar o que voce teve oportunidade.

05:00 → 05:02

Multiplicar para quem deseja, para quem sonha.

05:03 → 05:04

Voce ter uma solidariedade.

05:04 → 05:09

A gente fala solidariedade, parece uma coisa de midia, a solidariedade as vezes, ela e mais simples.

05:09 → 05:14

As vezes e o olhar dentro dos teus olhos, sei la, e perceber um vazio na tua alma

05:14 → 05:19

e eu, de repente, estar do teu lado, eu vou estar dividindo, eu vou estar sendo solidario

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eu acho que talvez se eu pegar na tua mao, eu estou sendo solidario

05:22 → 05:27

ou mesmo na pratica, a gente se juntar e ajudar a comprar um gas que de repente faltou na casa dele.

05:28 → 05:31

Sacou? Entao, isso pra mim era vital.

05:31 → 05:37

Agora, juntava com isso a disciplina, a organizacao, a responsabilidade, porque isso nao e caretice

05:37 → 05:40

e a unica forma das coisas funcionarem.

05:40 → 05:47

Isso eu digo assim meio, eu sempre gosto de estar repetindo essas coisas, porque eu acho que isso e que da a diferenca.

05:47 → 05:52

Porque eu nunca quis montar um projeto de teatro para as pessoas ficarem famosas

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Nao, mas que fosse um artista bacana, mas um artista humano, um artista diferente, um cidadao bacana.

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Onde o "com licenca" ainda existe, o "por favor" e essencial.

06:04 → 06:06

O "muito obrigado" ser essencial.

06:06 → 06:09

O dar o lugar para uma pessoa mais velha sentar seja essencial.

06:09 → 06:12

Nao jogar papel no chao seja importante.

06:13 → 06:20

Entao, isso ha 23 anos que a gente faz isso e comprando uma grande briga por uma coisa chamada estereotipo

06:20 → 06:24

que e um grupo de teatro de favela, as pessoas acharem que voce esta fazendo teatrinho

06:25 → 06:27

e eu, com todas as experimentacoes que eu tinha

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eu buscava um caminho novo

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um caminho metodologico que eu pudesse...

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Meio Paulo Freire no teatro

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uma coisa assim que era um caminho que eu busquei, que eu acreditei que podia ser transformador

06:44 → 06:44

Enfim

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E quando eu fundei, eu pensei

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montar pecas que falassem sobre a comunidade intercalando com classicos da literatura brasileira

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para que voce pudesse, acima de tudo, tambem trazer esse publico que nao tinha acesso ao teatro.

06:58 → 07:00

e assim fundei o Nos do Morro

07:01 → 07:03

tenho que correr

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e... muito doido... eu estou tao nervoso

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e nessa historia...

07:09 → 07:13

Obrigado. Obrigado pela forca, porque eu estou nervosao.

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E, nessa historia toda voce fica caminhando e parece que voce nao e um cidadao

07:22 → 07:29

e parece que voce se torna um cidadao quando voce quando voce tira uma identidade, e no nosso caso parece que a identidade e quando voce ganha algum premio

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E assim aconteceu com a nossa vida.

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Quando nos montamos em 93, "Machadiando", tres historias de Machado de Assis.

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Foi um divisor de aguas, quero dizer

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se eu for contar os divisores de agua aqui, a gente ficaria um dia contando divisores de aguas

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porque sao 23 anos vivendo intensamente, 23 anos surfando numa onda sem volta

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no tubao mesmo.

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Entao, assim...

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Quando nos montamos Machado de Assis, nos conseguimos levar no Vidigal, uma favela

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for the first time, a great theater critic, Mrs. B�rbara Heliodora

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Nos conseguimos fazer o nosso primeiro documentario

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que inclusive o fotografo e o Estevao, que nao sei se ele esta ai, Estevao Cevata.

08:12 → 08:17

E ai ganhamos nosso primeiro Premio Shell de Teatro.

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Imagina, a primeira vez que um grupo de teatro da favela ganha um Premio Shell de Teatro.

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Isso ja era estranho.

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E fizemos uma primeira parceria com

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Cicely Berry que e uma diretora de voz do Royal Shakespeare Company

08:33 → 08:37

que e a maior companhia Shakespeariana de Stratsford na Inglaterra

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onde Shakespeare nasceu e a gente teve essa oportunidade.

08:40 → 08:43

Porque as vezes e muito doido, as vezes a gente encontra pessoas que a gente nao sabe

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parece que a gente tem uma historia de outras vidas, de outras... sei la

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as almas parece que se encontram, parece que elas tem a mesma batida

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e a Cicely foi uma assim na minha vida.

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A gente se encontrou, se conheceu

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E a gente foi convidado para estrear uma mostra de obras completas do Shakespeare, ha quatro anos atras.

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Nos fomos um grupo brasileiro que teve a oportunidade de viver la dentro

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essa vida toda...

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Acho que divisores de aguas, nos tivemos aquele grande privilegio de fazer tambem Cidade de Deus

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que foi importante na nossa vida

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porque o Fernando Meirelles e a Katia Lund foram maravilhosos comigo e me deixaram a vontade

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para criar a possibilidade de mil pessoas em todas as comunidades

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e voce formar um bonde de cem pessoas

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e criar um workshop durante tres meses trabalhando intensamente

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e eu sempre digo, eu acho que um dos grandes sucessos de Cidade de Deus e o coletivo

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porque as pessoas aprenderam a viver coletivamente ali

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trabalhando, buscando, experimentando

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onde nao existia hierarquia para a criacao

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onde nao existia hierarquia para a liberdade de criar.

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Entao quando eles souberam que, o Fernando sempre ia la, a Katia...

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Entao, quando eles souberam que eles eram os diretores, ja tinham intimidade

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"Fernando, me da um copa d'agua ai por favor".

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entao eles nao tinham aquilo la "O diretor"

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sabe, aquela historia que as vezes distancia

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que voce nao tem essa intimidade, essa liberdade.

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Eu acho assim, sao varios, varios divisores de aguas na nossa vida.

10:14 → 10:17

Hoje, para a gente poder estar dentro do mercado de trabalho

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no pais, tanto no cinema, quanto na televisao

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mas o nosso objetivo, o nosso foco principal e o teatro

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eu sempre digo assim, quando as pessoas as vezes buscam nos no morro

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o teatro la nao e uma escola de teatro

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la e para voce poder viver a arte intensamente.

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Isso sim, porque nao tem fim, voce poder estar dividindo a vida atraves da arte, nao tem fim.

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Voce vive eternamente dividindo, buscando, experimentando

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esse coletivo da experimentacao, que e transformador

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o transformador e voce poder estar na novela das oito ou na Broadway

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e voce nao perder a sua simplicidade que esta nas suas bases, ajudando a pintar, ajudando a varrer

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pe no chao, eu acho que isso que a gente pode transformar uma sociedade

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transformar uma sociedade e a gente poder estar aqui juntos falando da vida

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eu acho que nos estamos vivendo um grande momento de transformacao

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estou vivendo um momento de grande esperanca na minha vida.

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Apesar, que indiscutivelmente temos grandes problemas a resolver, porque ninguem vive de visibilidade

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as pessoas vivem do dia-a-dia, e o dia-a-dia e punk, o dia-a-dia nao e brincadeira

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Acho que nos temos ainda que buscar, que encontrar um caminho melhor do que que e um apoio cultural.

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Nos temos um apoio da Petrobras que e importantissimo

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nos temos seis, sete anos que somos patrocinados pela Petrobras

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porque antes... nos nunca vendemos para

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miseria, porque as pessoas as vezes querem ser patrocinadas e a gente diz: "tadinho"

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eu odeio isso, eu odeio paternalismo

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eu acho que a gente tem que vender a possibilidade sim, quem deseja sonhar

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e a gente poder chegar la e ensinar o melhor que a gente pode sonhar

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e as pessoas simplesmente precisam de oportunidades.

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eu acho que por essas oportunidades que a gente consegue viver de verdade

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porque senao vira paternalismo e e isso ai que estraga o nosso pais

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Como que foi dado o exemplo aqui

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Como foi dado

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Como foi dado o exemplo aqui hoje, por exemplo, da pipa d'agua ainda render votos

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a cesta basica ainda render votos.

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eu acho que a arte tem esse poder, que no minimo voce passa a ter uma opiniao propria.

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E quando voce tem uma opiniao, quando voce tem coragem de manifestar sua opiniao

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Entendeu? Voce ja e um ser humano diferente

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e a arte tem esse poder de transformar voce nesse ser diferente.

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eu nao posso esticar, eu tenho tanta coisa para falar

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mas eu nao posso esticar, porque eu prefiro passar um video de 3 minutos.

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Para voces darem uma olhada pelo menos em algumas caras da criancada la, porque eu sempre digo uma coisa muito doida, cara.

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Essa historia... eu nunca fiz favor para ninguem, o grande privilegiado nessa historia sou eu.

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Eu que sou o privilegiado, porque voce ser um elo de possibilidade, cara...

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N�s do Morro is sponsored by Petrobr�s since 2001

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