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O direito de crer?
Duration:
1 hour, 1 minute and 56 seconds
Country:
Brazil
Language:
English
Genre:
None
Producer:
BuddhistSocietyWA Channel from YouTube.com
Views:
202
(13
embedded)
Posted by:
gnlaera on Dec 29, 2008
Temos realmente o direito de acreditar em qualquer coisa? Algumas crenças têm prioridade sobre outras? Como crenças surgem na mente e o quão acuradamente estas 'fermentações intelectuais' se confundem com a Realidade Última (paramatha dhamma)?
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- Para a palestra de hoje, como sempre, tentarei aplicar os Ensinamentos Budistas para os problemas da vida cotidiana
- e falarei então, nesta tarde, sobre um tópico desafiador: "O Direito de Crer"
- motivado por vários eventos destas últimas semanas
- por exemplo, ao assistir um documentário que alguém me mostrou num DVD
- do canal 4 BBC, de Richard Dawkins, entitulado "A Raiz de Todo Mal"
- que tratava do problema das crenças fundamentalistas no nosso mundo
- o que foi bastante chocante por mostrar os tipos de ódio que podem ser inspirados pela crença
- e faz você começar a pensar sobre a suas crenças e o quão sólidas são e se tornar-se-ão perigosas
- e também porque crenças, de muitas maneiras diferentes, realmente afetam nossa sociedade
- e às vezes você se pergunta se, com a liberdade religiosa, você tem o direito de acreditar no que quiser
- e se isto for verdade, quais deveriam ser, e por que deveriam haver restrições?
- e então este é um tópico bastante poderoso
- e não tenho certeza se poderei abordá-lo, pois como usual, sempre o faço sem preocupar-me com o tempo, sem roteiro do que vou falar
- mas baseado em alguns dos entendimentos do Dhamma, os Ensinamentos Budistas
- da natureza da mente, de como a consciência funciona
- de como as crenças são formadas, e o perigo de seguir tais crenças
- então esta será uma conversa sobre O Direito de Crer
- e eu diria que a maioria de nós não aceitaria o fato de que alguns crêem não termos o direito de crer em coisa alguma
- e diria que a razão pela qual digo isto é que as vezes as pessoas sofrem por causa desta esquizofrenia
- em que podem acreditar em alguém que diz-lhes para matar todas as prostitutas
- ou que tiveram o comando do que acreditam ser um Deus para acabar com um governo
- seja o que for, tais crenças que as pessoas têm e sinceramente acreditam
- são óbviamente vistas por nossa comunidade como um grupo de crenças o qual não temos absolutamente o direito de se acreditar
- pois são um perigo para si mesmo e para os outros
- e quem as segue deveria estar buscando tomar ou ser receitado algum tipo de medicamento
- há visões extremas que penso qualquer um diria não se tem o direito de crer-se
- e este é um extremo, mas isto estabelece o fato de que não temos o direito de crermos em coisa alguma
- e todos os tipos de crenças que podem não ser tão perigosas, podem sim ser perigosas tanto quanto estas
- certamente estamos falando das crenças dos homens-bomba, daqueles que atiraram aviões contra as torres gêmeas
- é daqueles que oprimem as mulheres, ou aqueles que seguem um estilo de vida "gay"
- eles têm realmente o direito de crer nisto, que a homossexualidade seja um pecado?
- e acho que muitos de nós aqui diríamos que não esta é uma visão errônea, eles não tem o direito de crer em algo no tipo
- pois tais crença deixa de ser uma questão pessoal
- pois crenças são coisas que se carrega na cabeça
- e que são expressadas no sabbath, ou num sábado ou domingo, ou numa sexta-feira à noite
- quando se vai à um templo budista, mesquita, igreja ou algo do tipo
- a crença que alguém tem é o que forma ou gera suas ações, sua fala, sua atitute, o que se faz da vida
- tudo isto vem das crenças que se tem
- desta forma, será que, à parte de se identificar se as crenças que se tem são perigosas, deve-se mesmo permitir que estas existam?
- não seria isto uma forma de não assumir a responsabilidade diante da sociedade?
- há um grande problema aqui: o do direito da crença
- mas do que estou falando aqui?
- o problema é que as crenças estão geralmente nas coisas erradas
- temos algo como uma lista de prioridades para as crenças
- qual é a mais importante, a menos importante em nosso sistema de crenças
- e o que compreendo no Budismo é que, quando esta categorização, esta ordem de crenças
- quando não estão devidamente ordenadas, criam-se o problema de uma sociedade violenta e não funcional
- basicamente, acreditamos nas coisas erradas primeiramente, quando estas deveriam ser secundárias
- e há alguns anos, li um artigo, talvez dez ou quinze anos atrás
- quando fundamentalistas, possivelmente sikhs ou muçulmanos, no norte da Índia
- queimaram uma loja e mataram seu dono e sua esposa, pois ali vendia-se licor, álcool
- e na época pensei comigo que sim, eu não concordaria com vender álcool
- pois, sendo um monge, há algo como os cinco preceitos, não supõe-se que bebamos álcool
- e até mesmo há alguns dias, um anagarika aqui buscava se livrar de um molho de soja
- pois este tinha algo como 2.5% de graduação alcóolica
- e até mesmo tal quantidade é bastante perigosa para monges!
- imaginem os monges, com aquele molho de soja, ficariam animados!
- e isto aconteceu uma vez. Não me lembro quando foi a última vez que contei tal história,
- um monge, recebeu bombons licorados de presente de Natal de suas famílias no Canadá
- e vocês sabem, estes bombons são geralmente apenas doces, mas estas em questão tinham de fato licor dentro!
- o que pode não ser um problema, caso a última vez que se ingeriu ácool foi há um ano atrás ou mesmo agora há pouco
- mas se for como o caso desse monge, que há muitos anos não o faziam, sua sensibilidade realmente se aguça
- e apenas um bombom licorado, no caso deste monge, juntamente com outros três, resultou em quatro monges bastante animados!
- eu e minhas histórias engraçadas agora, um outra que não resisto em contar:
- muitos de vocês conhecem com muito carinho e respeito Aj. Nyanadhammo
- ele, que esteve conosco recentemente, passou tanto tempo em nossos mosteiros
- um monge maravilhoso e um bom amigo
- e quando, chegando de um vôo de Adelaide, sua cidade natal, aqui em Perth, onde viveu por sete ou nove anos, não me lembro
- ele, um ótimo monge, bem comportado, ótimo meditador e palestrante,
- quando me sai do avião, em Perth, ele cheirava como uma destilaria!
- sim, cheirava! E ele me contou o que aconteceu:
- no avião, em Adelaide, foi colocado num assento ao lado de onde estava este executivo
- que estava com temor de voar, mas aquela era a única forma de se chegar à Perth rápido o suficiente
- e a única forma daquele sujeito vencer o medo foi servir-se de álcool eferecido à bordo gratuitamente
- o executivo serviu-se de um copo de uísque assim que o avião decolou, bebendo mais e mais a partir de então
- e falava com Ajahn Nyanadhammo, sentado ao seu lado, tentando encontrar uma forma de vencer aquele medo
- e Ajahn Nyanadhammo ensinando-lhe um pouco de Budismo, mas o sujeito continuava a beber o uísque
- e assim que chegavam em Perth, duas ou três horas de viagem, ele já havia bebido tanto uísque que já não estava tão estável assim
- veio uma turbulência, enquanto ele segurava um copo cheio de uísque na mão, que foi derramado no manto de Ajahn Nyanadhammo
- momentos antes de pousarem, e por isso que, assim que ele desembarcou, cheirava a uísque!
- bom, pelo menos essa foi a versão dele!
- pois é bastante embaraçoso um monge que cheira a uísque! especialmente um monge como ele
- bom, voltando à conversa, as crenças
- embora as pessoas tenham essas crenças bastante arraigadas, e hajam os efeitos destas, é a prioridade dada a estas que é o problema
- e há uma história que, acho, lhes contei há alguns anos, que serve para se entender por que as crenças
- que entendam, podemos tê-las, devem ser priorizadas
- é uma história que conto em casamentos e que vai acabar arrombando a porta do seu coração
- e vou contá-la novamente, e muitos já devem até conhecer de cor, a história da galinha e o pato
- e é importante compreender esta história, pois em seguida vou expandi-la
- para como esta má priorização de crenças causa-nos tanto problemas
- Tudo bem termos crenças. Mas asseguremos que
- as crenças mais importantes sejam colocadas a frente.
- Contarei uma história de um casal que caminhava na floresta
- quando ouviu um som "quém, quém, quém"...
- Na mesma hora a esposa diz:
- - Querido, ouça! É uma galinha.
- E o marido pergunta: - O que você disse querida?
- - Disse que é uma galinha. E ele respondeu: - Não querida,
- ... galinhas fazem có-có, patos fazem quém-quém. Isso era um pato.
- E ela disse: -Não, não, não...
- ...isso é uma galinha, com certeza.
- E veio o som de novo. - É um pato! - diz ele.
- - É uma galinha! - ela insiste. - É um pato, diz ele.
- - É uma galinha!! diz ela. É um pato!! - diz ele
- - P-A-T-O, é um pato!
- "Entendeu?!"
- E ela começa a chorar...
- E diz "mas, mas é sim uma galinha..."
- ...
- E então...
- Ele percebeu o que era realmente importante:
- o motivo pelo qual ele se casou com ela.
- Ele pensa, acaricia a mão dela e diz:
- - Desculpe, acho que você está certa. É uma galinha.
- E então o animal fez "quém-quém" de novo...
- (risos)
- E eles continuam a caminhada felizes
- sem se importar com o problema.
- Agora, vocês que já conheciam a história...
- Sabem que, ao contá-la, sempre troco
- quem disse que era uma galinha e quem disse que era um pato
- ou as pessoas poderão me acusar
- por descriminação sexual (de gênero)...
- Nesse caso em especial
- havia um homem que foi inteligente, esperto
- ele foi compassivo e sábio
- por duas razões. Primeiro, porque se perguntar...
- se é realmente importante estar certo sobre
- questões relacionadas às galinhas e patos
- ...
- Isso realmente importa? O que o homem compreendeu
- é que o que realmente importa é termos harmonia e paz...
- em não estarmos certos o tempo todo sobre se era um pato ou galinha...
- Ele teve a sua prioridade e a escolheu.
- Isso é o que podemos ouvir nesta história.
- E a razão dois: algumas vezes em que você acredita que está certo...
- ... você realmente pode estar errado.
- Poderia ser uma galinha geneticamente modificada.
- (risos)
- Ou um pato, quem sabe?
- Ele viram como crenças causam os conflitos
- e problemas. Durante a meditação tivemos
- uma discussão lá atrás. Tenho certeza que vocês ouviram como eu ouvi.
- Perguntamos: por que temos conflitos
- com quem amamos? Isso ocorre
- quando nós acreditamos que estamos certos.
- Há alguns anos atrás
- Me trouxeram um artigo
- sobre alguém que tinha uma galinha
- que foi criada com um grupo de patos
- e que era uma galinha mas que fazia "quém-quém"...
- Literalmente, existem estes seres por aí...
- ...
- Então você pode estar errado.
- Mas a outra razão em contar esta história...
- é que ela é uma introdução
- para a verdadeira piada de hoje...
- e essa piada é dedicada a Ajahn Sujato, de Sidney
- ele me contou essa piada ontem pela manhã
- E é sobre duas galinhas,
- quero dizer, dois patos...(risos)
- Nem eu estou me entendo mais... Mas são dois patos nadando em um lago
- Dois patos estavam nadando no lago, quando um pato faz...
- "quém-quém", e o outro pato diz...
- - "Eu ia dizer exatamente isso!"
- (risos)
- ...
- É uma piada estúpida...
- (risos)
- Vocês são engraçados...
- (risos)
- ...
- Voltando à realidade de nossas crenças
- o ponto chave é que aquele homem
- quando ele disse - ok querida, você está certa.
- A coisa mais importante
- é ter paz e harmonia juntos
- então, se você acredita nisso...
- tome isso como prioridade, ter paz, ter harmonia
- tome isso como o número um
- não importa se era uma galinha ou um pato, ou se Deus criou o mundo
- ou se há reencarnação ou se Alá é o último profeta, ou o que quer que seja
- mantenha isso como secundário.
- ...
- Se nós tivéssemos as pioridades corretas para as nossos sistemas de crenças
- e assim...
- nós estaríamos resolvendo a maior parte dos problemas
- relacionados às crenças no mundo
- e a forma como eles causam dificudades e problemas no mundo.
- e o outro exemplo disse que eu venho citando
- é relacionado a uma história de alguns anos atrás
- quando mariners na baía de Guantânamo
- jogaram parte de um Alcorão no vaso sanitário
- Vocês ouviram falar disso
- E quando eles jogaram o Alcorão pela privada
- foi uma grande comoção no mundo muçulmano
- e ao mesmo tempo por aqui, uns dias depois, alguém me perguntou:
- Ajahn Brahm, o que você faria se jogassem textos sagrados budistas pela privada?
- Vocês viram esses textos, nós temos alguns na biblioteca, são livros grossos.
- Como budista, o que você faria se textos sagrados budistas fossem jogados na privada?
- e eu disse: se jogassem textos sagrados budistas pela privada, eu chamaria o encanador
- Isso é muito importante
- A lição que tiramos dessa história, diz respeito a prioridades, quer dizer
- Você pode jogar textos sagrados budistas na privada, mas não deixarei que jogue o budismo pela privada
- Você pode explodir os budistas em pedaços, mas não deixarei que você destrua o que o Buddha ensinou: paz, perdão, harmonia
- É possível destruir todos os templos budistas, matar monges e monjas
- mas por favor, não permita que matem sua paz, sua harmonia,seu perdão, seu amor
- Pois isso é a coisa mais importante
- O que fazemos aqui é tentar perceber a diferença entre conteúdo e recipiente
- e o que ocorre é que o conteúdo tem sempre a prioridade em relação aos recipientes.
- e os recipientes são as estátuas do Buddha, os livros, os monges e monjas, os templos...
- Eles contem algo, algo no qual as pessoas realmente acreditam
- Por que vocês vêem aqui? Vocês não acreditam em Nollamara
- não, isso é só um subúrbio...mesmo esse centro, vocês não acreditam nos tijolos, no telhado e no concreto
- Vocês não acreditam realmente nos monges e monjas, pelo menos é o que esperamos,
- caso contrário não irão entender.
- Vocês também não acreditam na estátua do Buddha novinha atrás de mim, é só um pedaço de metal, só isso.
- Espero que vocês acreditem no que tudo isso significa
- Nesse caso vocês realmente acreditarão no poder da paz
- realmente irão acreditar no poder do perdão, no amor, na liberdade
- e essas são as coisas que vocês devem priorizar
- Claro que se o templo for destruído, se alguém vier e derrubar ou queimar tudo durante a noite
- não permita que isso destrua tudo que esse templo representa
- a paz, a liberdade...é por isso que vocês vieram até aqui.
- então, é importante que vocês priorizem os sistemas de crença
- o que é mais importante, o que vem em primeiro.
- E se as religiões pudessem ver o conteúdo dos seus recipientes, dos livros, dos símbolos
- até mesmo essa coisa dos desenhos, sempre se preocupando com os recipientes
- Por que alguns desenhos estão sempre destruindo a paz,o amor, o perdão, a misericórdia
- Deixe-me entender o que importa realmente e priorizar isso
- Vamos acreditar no que é realmente importante
- Eu acho que é por isso que o direito de crer deveria ser a primeira prioridade
- Assim acreditaríamos nas coisas mais importantes em primeiro lugar
- E no momento em que pensássemos poder acreditar em algo, nunca deveria ser às expensas do que é realmente importante
- Quando se entende como priorizar crenças, podemos entender a razão pela qual
- não temos direito de acreditar em crenças secundárias ou terciárias
- coisas do tipo: em qual religião eu quero crer, que práticas quero fazer
- quando infringe as crenças primeiras, coisas como paz, liberdade
- amor, perdão e não-violência...estes são os primeiros
- Assim, acreditaríamos que ao vir para um lugar como esse
- o que se está ensinando não é um tipo de culto
- É interessante falar sobre cultos, pois quando abrimos uma loja em Perth 24 ou 25 anos atrás, tínhamos um pequeno centro ao norte de Perth
- Muitos de vocês sabem onde ficava esse centro


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