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Transcript for Sociedade do Automóvel - Automobile Society - Sociedad del Automóvil
| Time | Content |
|---|---|
| 00:05 → 00:08 |
[música] |
| 00:55 → 00:58 |
[música agitada] |
| 01:43 → 01:47 |
Pra eu sair nesse horário, 18:50, |
| 01:47 → 01:51 |
você já vem se preparando psicologicamente |
| 01:51 → 01:54 |
que vai estar ruim. |
| 01:56 → 01:57 |
A gente fica dentro de um shopping |
| 01:57 → 02:02 |
e a gente nunca sabe se está frio, se está calor, se está chovendo... |
| 02:02 → 02:07 |
Eu entro de manhã, então essa subidinha aqui é o momento |
| 02:07 → 02:10 |
que você olha e fala: "Putz, tá parado!" |
| 02:14 → 02:18 |
Eu saio daqui às 05:20, |
| 02:18 → 02:23 |
ando 20 minutos até pegar a primeira condução, |
| 02:23 → 02:25 |
passo 30 minutos nela, um ônibus que me conduz até São Miguel, |
| 02:27 → 02:31 |
e de lá eu pego a van da firma. 14 00:02:31,118 --> 00:02:35,598 Esse trajeto leva em torno de 2h, 2h10min, por aí. |
| 02:37 → 02:41 |
Eu levanto na 2a-feira às 3:40 da manhã, |
| 02:41 → 02:43 |
saio 4:15, |
| 02:43 → 02:46 |
pego o ônibus lá onde mostrei, vou até o trem. |
| 02:48 → 02:52 |
Chegando no trem, a gente pega o trem e vai até o Brás. |
| 02:52 → 02:57 |
Do Brás, eu pego o metrô, pego as 3 linhas |
| 02:57 → 03:02 |
o verde, o vermelho e o azul. |
| 03:03 → 03:06 |
Nesse tempo todo, eu gasto 2h15min. |
| 03:14 → 03:17 |
O dia que eu decidi eu não vou mais pegar esse carro |
| 03:17 → 03:21 |
foi o dia que eu demorei 1h15min para chegar na faculdade e perdi uma prova. |
| 03:23 → 03:27 |
E eu pensava: se estivesse de metrô, em 20 minutos eu estava lá! |
| 03:35 → 03:39 |
Eu prefiro usar a bicicleta como meio de transporte principal em SP, como 1a opção. |
| 03:41 → 03:44 |
Não uso só a bicicleta, uso também bastante o transporte coletivo, |
| 03:44 → 03:46 |
e uso o carro, às vezes. |
| 03:46 → 03:49 |
Mas eu diria que 90% dos meus deslocamentos são feitos de bicicleta. |
| 03:59 → 04:01 |
[barulho de motor] |
| 04:24 → 04:26 |
[sirene] |
| 04:27 → 04:36 |
[ruído de freio] |
| 04:38 → 04:41 |
No carro, você tem o tempo do carro |
| 04:41 → 04:44 |
que é 30 vezes mais rápido que a pé. |
| 04:46 → 04:50 |
Então, com o tempo do caminhar, você vai descobrindo relações, |
| 04:50 → 04:54 |
vai descobrindo paisagens, horrores |
| 04:54 → 04:58 |
vai descobrindo a cidade, o que é a metrópole, |
| 04:58 → 05:03 |
o que é essa luta, esse conflito constante entre as pessoas, |
| 05:03 → 05:06 |
você descobre muito mais a pé. |
| 05:17 → 05:19 |
Eu acho que o carro tem uma função, |
| 05:19 → 05:24 |
principalmente quando você começa a percorrer distâncias muito longas, |
| 05:24 → 05:26 |
e não tem transporte coletivo |
| 05:26 → 05:27 |
e você tem um tempo curto. |
| 05:28 → 05:30 |
Se a gente tem que sair os 5, |
| 05:30 → 05:33 |
temos que pagar 5 conduções para ir, |
| 05:33 → 05:34 |
e 5 para voltar... |
| 05:34 → 05:38 |
A gente vai gastar o dobro do que se fôssemos os 5 de carro. |
| 05:39 → 05:41 |
[música] |
| 05:46 → 05:49 |
O carro sempre fez parte do sonho, |
| 05:50 → 05:54 |
pelo menos de todos que me rodeavam. |
| 05:54 → 05:57 |
Você andar de carro, quando você tem 18, 19 anos, |
| 05:57 → 06:02 |
é muito legal. Te dá um ar de independência. |
| 06:02 → 06:04 |
Você vai indo, vai indo... |
| 06:04 → 06:07 |
e quando você vê, já está dependente do carro. 54 00:06:07,402 --> 00:06:12,151 Hoje, não consigo me imaginar sem o carro. |
| 06:28 → 06:30 |
[sons de robô] |
| 06:34 → 06:36 |
[música antiga] |
| 06:37 → 06:40 |
Em 1900, a maneira de se transportar na cidade |
| 06:40 → 06:42 |
era o bonde puxado a burro. |
| 06:43 → 06:45 |
[música continua] |
| 06:47 → 06:50 |
Foi quando surgiu a primeira linha de bondes elétricos, |
| 06:50 → 06:54 |
vinha lá da Barra Funda até o Largo São Bento. |
| 06:55 → 06:59 |
A partir de 1930, ele começou a diminuir de importância |
| 06:59 → 07:01 |
quando surgiram outros meios de transporte: |
| 07:01 → 07:03 |
o automóvel, o ônibus |
| 07:03 → 07:06 |
que foram crescendo ao mesmo tempo que |
| 07:06 → 07:10 |
o bonde foi perdendo clientela, até desaparecer totalmente em 1968. |
| 07:29 → 07:32 |
São Paulo é a única das grandes cidades do Brasil |
| 07:32 → 07:34 |
que apresenta essa característica de ter mais viagens |
| 07:34 → 07:38 |
pelo transporte individual privado |
| 07:38 → 07:44 |
do que viagens realizadas pelo transporte público coletivo. |
| 07:51 → 07:53 |
Não tem como enrolar, está tudo parado! |
| 07:54 → 07:56 |
Complicadíssima a Avenida 23 de maio. |
| 07:56 → 08:01 |
Ainda anda um pouquinho, mas é anda um pouquinho, pára um pouquinho. |
| 08:02 → 08:06 |
Em 1976, a cidade de São Paulo tinha cerca de 7,5 milhões de habitantes, |
| 08:06 → 08:09 |
com 1,6 milhões de veículos. |
| 08:09 → 08:11 |
E nesses 28 anos, como a coisa se comportou? |
| 08:11 → 08:14 |
A população cresceu 23%, |
| 08:14 → 08:16 |
o sistema viário cresceu 25%, |
| 08:16 → 08:21 |
e a quantidade de carros cresceu 280%. |
| 08:22 → 08:24 |
Existia 1 veículo para cada 6 habitantes. |
| 08:24 → 08:27 |
Hoje, temos um veículo para cada 2 habitantes. |
| 08:28 → 08:30 |
Todo mundo falava: "a hora do rush". |
| 08:30 → 08:33 |
Não existe mais "hora do rush". Eu, pelo menos, não consigo entender. |
| 08:33 → 08:38 |
Tem dia que está vazio e tem dia que, às 4h da tarde, você não anda na cidade. |
| 08:48 → 08:53 |
A gente acredita que dos 5,4 milhões, nós tenhamos na cidade de SP |
| 08:53 → 08:57 |
circulando ao mesmo tempo uma frota de aproximadamente 3 milhões de veículos. |
| 08:58 → 09:00 |
Não dá para sair os 5 milhões ao mesmo tempo, |
| 09:00 → 09:02 |
não tem espaço, não tem via para isso. |
| 09:02 → 09:07 |
O problema é todo mundo querer sair no mesmo horário, da mesma maneira, |
| 09:07 → 09:11 |
pra resolver seus problemas todos os dias com carro. |
| 09:11 → 09:13 |
Não vai ter túnel que resolva, ponte, |
| 09:13 → 09:16 |
nada que resolva. |
| 09:18 → 09:25 |
Quando você olha isso aqui, você para e fala: será que vale a pena, né, |
| 09:25 → 09:27 |
que é que eu tô fazendo? É muito tempo perdido! |
| 09:28 → 09:29 |
[tique-taque de relógio] |
| 09:39 → 09:42 |
Eu não páro no meu trajeto |
| 09:42 → 09:43 |
e isso é maravilhoso. |
| 09:44 → 09:45 |
Você tem aquela sensação de liberdade: |
| 09:45 → 09:47 |
o carro em uma auto-estrada e tal, |
| 09:47 → 09:49 |
indo em direção ao sol. 103 00:09:49,835 --> 00:09:53,296 Mas na realidade você pode ir para pouquíssimos lugares de carro. |
| 09:58 → 10:00 |
É mais fácil você pegar a bicicleta |
| 10:00 → 10:03 |
e ir pra qualquer lugar, a qualquer hora do dia que ir de carro. |
| 10:03 → 10:07 |
De carro, você pensa duas vezes: será que vai estar trânsito? Será que tem lugar pra parar? |
| 10:10 → 10:13 |
Nada acontece, né... Guiar é igual. |
| 10:15 → 10:19 |
O trajeto que você vai mesclando entre ônibus ou metrô, ou a pé, |
| 10:19 → 10:22 |
pode ser cada dia de um jeito. |
| 10:24 → 10:27 |
Eu sempre penso que o motorista tá numa situação muito miserável. |
| 10:27 → 10:29 |
A gente precisa ter compaixão. |
| 10:29 → 10:32 |
Porque é muito ruim estar na situação em que o motorista está. |
| 10:47 → 10:50 |
Tem dias que não é bom sair de bicicleta. |
| 10:50 → 10:52 |
E aí é muito louco: Você não pode sair porque está poluído, aí você pega o carro |
| 10:52 → 10:54 |
e vai de carro pro lugar... |
| 10:56 → 10:59 |
A gente estima que, por dia, em SP, devido à poluição do ar, |
| 10:59 → 11:05 |
nós tenhamos um excesso de morte da ordem de 7 a 10 pessoas. |
| 11:16 → 11:19 |
A maior parte dos paulistanos não vai sentir nada. |
| 11:20 → 11:23 |
Isso vai cobrar um preço depois de muito tempo. |
| 11:23 → 11:25 |
Inclusive com maior risco de ter doenças cardíacas, |
| 11:28 → 11:30 |
maior risco de alterações comportamentais, |
| 11:30 → 11:33 |
maior risco de ter um câncer. |
| 11:36 → 11:40 |
Ao longo de muitos anos, essa agressão crônica, em alguns de nós, cobrará um preço. |
| 11:41 → 11:43 |
Isso se chama redução da expectativa de vida. |
| 11:44 → 11:49 |
Em uma cidade como São Paulo, cerca de 2 anos a menos, a gente calcula, devido a poluição do ar. |
| 11:49 → 11:51 |
[pessoa sufocando] |
| 12:04 → 12:07 |
[freada, batida] |
| 12:08 → 12:11 |
Em São Paulo morreram, no ano passado, |
| 12:11 → 12:13 |
cerca de 1.300 pessoas. |
| 12:43 → 12:49 |
Via de regra, tem a conduta do motorista, o excesso de velocidade, |
| 12:49 → 12:51 |
e às vezes é a questão do viário ou não. |
| 12:54 → 12:56 |
[música] |
| 13:26 → 13:30 |
[arma engatilhando, disparos] |
| 13:30 → 13:33 |
[gritos desesperados] |
| 13:44 → 13:49 |
Você tem saúde, você tem a união da sua família, tem alegria com sua família. |
| 13:50 → 13:55 |
Mas se você não tiver proteção, você pode perder tudo isso em menos de 3 minutos, |
| 13:55 → 13:59 |
porque a cada 3 minutos um carro é roubado na Grande São Paulo. |
| 13:59 → 14:04 |
Como evita isso? Comprando o CarSystem, ligando para a CarSystem. |
| 14:04 → 14:06 |
CarSystem é um sinal de proteção e segurança. |
| 14:06 → 14:09 |
É um bloqueador via satélite, é um rastreador... |
| 14:09 → 14:12 |
O senhor se sente mais seguro em SP andando a pé ou de carro? |
| 14:13 → 14:14 |
De carro. |
| 14:14 → 14:15 |
- Por quê? |
| 14:15 → 14:19 |
Porque acho que é bem mais fácil andar de carro do que na rua. |
| 14:19 → 14:22 |
Na rua, está arriscado a ser assaltado a qualquer hora. |
| 14:22 → 14:24 |
Eu me sinto mais segura andando de carro. |
| 14:26 → 14:30 |
Porque no carro eu tenho a chance |
| 14:30 → 14:32 |
de andar com os vidros fechados |
| 14:32 → 14:35 |
e a pé eu fico mais vulnerável. |
| 14:35 → 14:38 |
O carro, ele dá uma sensação de mais segurança, sim, |
| 14:38 → 14:43 |
porque você está controlando quem está do seu lado, quem não está. |
| 14:43 → 14:45 |
Se você vê alguém atrás de você |
| 14:45 → 14:47 |
que você acha que está te seguindo |
| 14:47 → 14:48 |
você começa a cortar caminho. |
| 14:48 → 14:52 |
Você se sente seguro porque está fechado, pode fechar os vidros, entendeu? É por isso. |
| 14:54 → 14:56 |
- A senhora já foi assaltada? |
| 14:56 → 14:58 |
- Já. - De carro ou a pé? |
| 14:58 → 15:00 |
Pior que foi de carro... [risos] |
| 15:00 → 15:02 |
Mas eu deixei a janela aberta! |
| 15:03 → 15:06 |
Eu estava de vidro fechado, ele bateu no vidro, |
| 15:06 → 15:09 |
mandou eu abaixar o vidro, e me pediu dinheiro. |
| 15:11 → 15:17 |
Nos últimos 8 anos, fui assaltada 6 vezes, em níveis diferentes de perigo, no meu carro. |
| 15:32 → 15:36 |
No sentido de assalto, acho bem mais seguro andar de bicicleta. |
| 15:36 → 15:41 |
Eu passo à noite de carro num lugar e fecho o vidro, vejo que estou meio preocupado. |
| 15:41 → 15:44 |
E aí me dou conta que passo ali de bicicleta, fico parado... |
| 15:44 → 15:49 |
Porque o carro é como se fosse um pedaço da sua casa, que você levou pra passear em 4 rodas. |
| 15:49 → 15:54 |
Você se sente... Sua identidade, sua casa está toda ali, |
| 15:54 → 15:56 |
fechadinho, naquele recinto. |
| 15:56 → 16:00 |
E no transporte público ou andando a pé, |
| 16:00 → 16:05 |
você é ninguém, você é junto com todo mundo. |
| 17:03 → 17:05 |
O argumento que o paulistano usa é sempre é que a locomoção, |
| 17:05 → 17:08 |
mas o carro, você sabe que é muito mais que a locomoção. |
| 17:09 → 17:13 |
[comercial] Novo Siena, mais que um carro, uma conquista. |
| 17:13 → 17:15 |
O que você quer comprar é o quê? |
| 17:15 → 17:20 |
Beleza, prestígio, privacidade, conforto. |
| 17:21 → 17:27 |
Uma bolha que te isola da cidade, que te descostura desse pano social. |
| 17:27 → 17:31 |
Onde você escurece o vidro para que ninguém te veja, |
| 17:31 → 17:36 |
e você blinda para que ninguém possa invadir sua segurança. |
| 17:46 → 17:51 |
Se eu fosse o imperador do Brasil e meu primeiro decreto imperial fosse: |
| 17:51 → 17:55 |
está abolido o uso desse veículo, |
| 17:55 → 18:00 |
e instantaneamente monto um sistema de transporte público perfeito. |
| 18:00 → 18:05 |
Dá guilhotina. Uma revolução sangrenta. |
| 18:56 → 18:59 |
Se você pudesse levar alguma coisa aqui de dentro para casa, o que levaria? |
| 18:59 → 19:02 |
Uma coisa? Un Ferrari, não tenha dúvida. |
| 19:02 → 19:04 |
Eu levaria uma Ferrari. |
| 19:04 → 19:05 |
Um carro. |
| 19:06 → 19:06 |
Uma Ferrari. |
| 19:07 → 19:08 |
Eu levaria as mulheres... |
| 19:08 → 19:10 |
A Ferrari. |
| 19:10 → 19:13 |
A morena que está dentro da Masseratti 4 portas lá no stand. |
| 19:13 → 19:15 |
Entre as mulheres e o carro, qual você escolheria? |
| 19:16 → 19:17 |
O carro. |
| 19:17 → 19:19 |
O que mudaria para você com esse carro aí na rua? |
| 19:19 → 19:21 |
Ah, muita coisa, viu... |
| 19:21 → 19:22 |
Mulherada de monte! |
| 19:23 → 19:27 |
Levantaria o nível, porque ultimamente é só ônibus... |
| 19:28 → 19:30 |
Nada, nada, nada... mas só o status. |
| 19:31 → 19:33 |
Ia mudar totalmente! |
| 19:33 → 19:37 |
Ia ganhar personalidade, autoridade, qualquer coisa. Ia ficar na mídia. |
| 19:38 → 19:41 |
Eu já não compraria não. Sabe por quê? |
| 19:41 → 19:43 |
A gente vai ser assaltado, entendeu? |
| 19:45 → 19:48 |
Teria que comprar uma Mercedes blindada. Aí sim. |
| 20:35 → 20:40 |
À medida que se expande a rede viária para abrigar todo esse movimento de automóveis, |
| 20:40 → 20:45 |
a cidade vai se espalhando cada vez mais num modelo de urbanização tipicamente americano. |
| 20:45 → 20:49 |
Este tipo de urbanização é extremadamente caro |
| 20:49 → 20:51 |
porque o poder público tem que levar infra-estrutura |
| 20:51 → 20:55 |
que não é só a avenida, mas também abastecimento de água, |
| 20:55 → 21:01 |
todos os serviços públicos, luz elétrica, esgoto, a regiões cada vez mais distantes. |
| 21:02 → 21:06 |
À medida que a clase media vai para os bairros mais afastados, |
| 21:06 → 21:09 |
a classe pobre é expulsa para áreas ainda mais distantes. |
| 21:10 → 21:14 |
E quem está na periferia tende a viver em uma cidade-dormitório, |
| 21:14 → 21:18 |
sem acesso a serviços, comércio, lazer, |
| 21:18 → 21:22 |
e sociedade, fora aquela sociedade confinada. |
| 21:23 → 21:30 |
E claro que isso gera também violência, gera ociosidade, falta de oportunidades. |
| 21:32 → 21:35 |
E tudo isso está diretamente ligado à cidadania. |
| 21:45 → 21:48 |
O único lugar que a gente vai no sábado é no centro de "Taquá", na crisma. |
| 21:48 → 21:50 |
Termina a crisma, vem para casa. |
| 21:50 → 21:52 |
Domingo, o dia inteiro em casa. |
| 21:52 → 21:55 |
Agora ele tá com um time de futebol e a gente vai assistir o jogo |
| 21:55 → 21:58 |
e gritar como umas loucas, está se divertindo... |
| 22:10 → 22:13 |
O cinema mais próximo é num Shopping de Suzano |
| 22:13 → 22:16 |
que eu levaria de condução em torno de 1h30min para chegar lá. |
| 22:17 → 22:23 |
Estaria levando mais tempo no meu trajeto de ir ao cinema, do que o prazer de curtir o filme. |
| 22:39 → 22:42 |
É o passarinho na gaiola, né, |
| 22:42 → 22:43 |
o coitadinho fica ali... |
| 22:44 → 22:46 |
Muitas vezes, para distrair, |
| 22:46 → 22:47 |
eu e as meninas, irmãs dele, |
| 22:47 → 22:50 |
liga o som e fica dançando na sala. |
| 22:50 → 22:51 |
Nossa diversão! |
| 23:02 → 23:05 |
Quanto tempo você demora da sua casa até seu trabalho? |
| 23:06 → 23:09 |
Quanto custa seu tempo? Quanto você pode pagar por ele? |
| 24:28 → 24:32 |
Tudo que é feito, é visando melhorar o fluxo. |
| 24:33 → 24:38 |
As infrações de segurança e respeito, parece que são infrações de segunda linha. |
| 24:40 → 24:42 |
Já tentei chamar um policial e falar: |
| 24:42 → 24:47 |
Olha, tem um carro parado na calçada, impedindo os pedestres. O cara não vai... |
| 25:23 → 25:27 |
Quando a gente entra no automóvel, tem uma sensação de poder, |
| 25:27 → 25:30 |
e todos aqueles que estão na nossa frente são adversários. |
| 25:34 → 25:40 |
Estabelece uma forma de convivência, que em vez de ser de convivência é de agressão. |
| 26:02 → 26:07 |
O fato de as vias públicas serem utilizadas para parar os carros, que são propriedades privadas, |
| 26:07 → 26:12 |
em detrimento do fluxo, que é uma condição pública de uso da cidade, |
| 26:12 → 26:14 |
é uma incongruência. |
| 26:24 → 26:29 |
Por que a pessoa que tem um carro tem o direito a ocupar um espaço público indeterminadamente? |
| 26:29 → 26:32 |
Por que a minha calçada não pode avançar mais 2 metros para lá, |
| 26:32 → 26:34 |
ou fazer um jardim, um canteiro? |
| 26:35 → 26:39 |
A pessoa que compra um carro deveria usar seu próprio espaço para guardar o carro |
| 26:39 → 26:41 |
e não ocupar o espaço público para guardar. |
| 26:43 → 26:48 |
A rua aqui deveria ser 4 metros mais estreita. |
| 26:48 → 26:51 |
Não mais larga, como os motoristas querem. |
| 26:51 → 26:56 |
Mais estreita, para ter mais árvores, jardins, casas maiores, bancos, e outras coisas. |
| 26:57 → 27:10 |
[motores, buzinas] |
| 27:29 → 27:37 |
A insuficiência do transporte coletivo foi tornando o automóvel uma necessidade. |
| 28:10 → 28:13 |
[confusão, gritos] |
| 28:32 → 28:35 |
Eu levo uma hora para vir trabalhar de carro. |
| 28:36 → 28:40 |
Se eu vier trabalahr de ônibus, pode contar mais tempo do que isso. |
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Então, você levar duas horas para vir trabalhar e duas horas para voltar, |
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se você tem a oportunidade de comprar um carro? |
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Eu acho que não... É meio... Não faz muito sentido! |
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O paulistano se defende do transporte público ruim comprando um carro. |
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Assim como se defende da saúde pública ruim pagando um seguro-saúde. |
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Da educação pública de 1o e 2o grau ruins, se ele puder vai pagar escola privada para os filhos. |
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Da segurança pública ruim, ele vai pôr uma guarita na porta do prédio, e assim vai. |
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Os shoppings, condomínios fechados, áreas segregadas, condomínios comerciais, |
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tudo isso leva à segregação. As pessoas entram, |
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e deixam de frequentar as ruas. |
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São Paulo tem um dos mais baixos índices de ocupação de veículo. |
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É 1,2 pessoas por veículo. |
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Ou seja, é cada um no seu veículo individual. |
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Portanto, os tempos que elas passam no trânsito são momentos de solidão. |
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O que tem de mais interessante no caminho que você faz de casa para o trabalho? |
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Mais interessante? Não sei, viu... |
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Acho que não tem nada de mais. Nunca reparei em nada. |
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Acho que nada! Não tem nada interessante. |
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Nesse caminho o que tem de interessante... Cara... |
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Agora você me pegou. |
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No caminho? Nada... nada. |
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Eu moro nesse bairro, Perdizes, desde que nasci. |
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Agora se você me perguntar onde tem uma escola de natação aqui pertinho, alguma coisa, |
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eu não sei dizer. |
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Porque acho que a pé ou de bicicleta, você observa muito mais. |
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Isso fortalece aquele sentimento de que o meio não é seu. |
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O meio é meio para passagem, não para se estar. |
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Não tem a praça, tem a rua. |
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Quem anda de carro, só tem fragmentos da cidade. |
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Quem vai de bike, vai construindo, cada quarteirãozinho. |
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Agora andei esse quarteirão, agora posso acrescentar o outro. |
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Você se integra totalmente com a cidade. |
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Eu acho que em uma sociedade baseada no transporte público... |
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você se diverte. |
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Se você tiver bom humor, se tiver olhos para enxergar, você se diverte no ônibus. |
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Como se você se diverte no metrô. |
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Se você tiver a capacidade de olhar as coisas que estão no entorno. |
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Então muda assim, completamente a concepção de como se vê a cidade. |
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A minha mudou totalmente. |
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A cidade passou a existir de uma maneira menos agressiva. |
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Você vai fazer mais economia, vai ter menos poluição, |
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o trânsito vai ficar só para quem precisa realmente usar o carro. |
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Você vai ter uma cidade mais civilizada. |
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Mas acho que todo o esforço é feito no sentido da individualização, |
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é feito no sentido de se usar o veículo, se vender o asfalto, pneu, motor. |
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Tem todo um lobby monstruoso mundial, |
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petróleo... a guerra, enfim... |
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que é em função do veículo. |
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Ao segregar os habitantes em locais onde se acessa por automóvel |
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e a rua passa a ser inóspita pelo tráfego e poluição, |
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estamos abandonando a cidade e deixando que seja ocupada exatamente pelos que não são cidadãos. |
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Legendas em português para Pessoas com Deficiência Auditiva Rodrigo Novaes - rodrigornovaes@gmail.com Visite www.legendanacional.com.br. |

